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A nova normalidade

5 min.

A nova normalidade

O homem muitas vezes parece não perceber que o ambiente natural tem outros desígnios, pois nota apenas aqueles que servem aos propósitos imediatos de uso e consumo. Contudo, a vontade do Criador era de que o homem se comunicasse com a natureza como um "mestre" e "guardião" inteligente e nobre, e não como um "explorador" e "destruidor", sem se atentar às consequências. João Paulo II – Redemptor Hominis.

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Hoje temos a tecnologia capaz de destruir o mundo em que vivemos, mas ainda não desenvolvemos a capacidade de escapar deste planeta. Talvez daqui a alguns séculos tenhamos estabelecido colônias humanas entre as estrelas, mas, no momento, contamos apenas com um planeta e devemos trabalhar juntos para protegê-lo. Stephen Hawking – The Guardian

Nesta semana, enquanto a Califórnia ainda conta as vítimas dos violentos incêndios florestais dos últimos dias e a Itália e a França estão se recuperando das inundações após chuvas torrenciais, as instituições e partes interessadas europeias se reunirão em Roma por ocasião do Fórum Europeu, que abordará a redução de riscos de desastres naturais, organizado pelas Nações Unidas, a fim de buscar soluções cada vez mais eficazes para acelerar a implementação do Sendai Framework.  O acordo voluntário das Nações Unidas, assinado em 2015, atribui aos Estados um papel primordial na redução do risco de desastres naturais e, mais importante, aponta que a colaboração entre os setores público e privado é a chave para o sucesso na prevenção e gestão de desafios humanitários e econômicos decorrentes desses desastres, destacando uma realidade essencial em relação às mudanças climáticas: aut simul stabunt aut simul cadent! Não há separação de destinos de sistemas, juntos eles se firmam ou juntos eles caem.

Na última década observando as condições climáticas, fosse na exploração de uma geleira derretida ou trabalhando em uma unidade, percebemos que a humanidade gradualmente entrou no Antropoceno, uma nova era geológica em que, segundo os cientistas, o efeito das atividades humanas no planeta é sentido significativamente. Sem entrar no debate sobre a atribuição de responsabilidade da humanidade pelas mudanças climáticas, evitando assim ficarmos presos no que é para alguns (felizmente poucos, mas ainda com certa relevância) um tópico puramente ideológico, nós podemos, por meio da observação de dados meteorológicos e objetivos, concluir que algo mudou no planeta. A humanidade certamente ultrapassou alguns dos limites do planeta, como identificou o professor Rockström, e ela está prestes a ultrapassar outras, se não agirmos coletivamente para transformar de forma radical a sociedade e os sistemas, conforme destacado no último relatório do IPCC.

Por outro lado, observamos uma consciência progressiva vinculada às condições climáticas extremas dos últimos tempos, que atraíram a atenção de muitos por conta das perdas, tanto em termos de vidas humanas quanto em relação aos custos de desastres naturais.

Ao analisarmos os dados do ano passado registrados pelos Centros Nacionais de Informação Ambiental dos EUA, podemos observar que 2017 foi o ano mais quente desde 1880, que não foi influenciado pelo El Niño; caracterizado por uma grande incidência de ondas severas de calor, secas, incêndios florestais, inundações e, por último mas não menos importante, furacões. Sem mencionar a inadmissível perda de vidas, mas apenas o impacto econômico, de acordo com a Munich RE, 2017 foi o ano mais caro em termos de desastres climáticos globais, com um custo de 330 bilhões de dólares. 

Ao observarmos ao longo dos anos, os dados disponíveis mostram uma frequência crescente. O número de incidentes provenientes de eventos meteorológicos e instabilidades hidrogeológicas triplicou desde 1980.    

Além disso, ao examinarmos a convergência entre os diferentes graus de antropização, com particular referência ao rápido crescimento das megalópoles e aos seus recursos e fluxos como uma porcentagem dos valores mundiais, assim como a geolocalização de desastres naturais, torna-se evidente que o perigo está aumentando substancialmente.

Analisando todos esses dados, e muitos outros que a comunidade científica está monitorando, das emissões de CO2 ao derretimento das geleiras desde os Andes até os Alpes, é evidente que essa nova realidade que a humanidade vive atualmente está destinada a continuar se tornando um novo fator de normalidade, notavelmente caracterizado por uma maior exposição a riscos e vulnerabilidades naturais.

Uma nova normalidade que está emergindo da esfera científica e das organizações multinacionais para entrar nas salas dos governantes e gestores de todo o mundo, começando a ser levada em consideração no planejamento estratégico e nas atividades diárias. Um novo ambiente operacional que exige que cada um de nós adote uma abordagem holística de resiliência, definida como a capacidade de um sistema de tolerar alterações enquanto mantém/retorna rapidamente à sua estrutura e funcionamento. Uma abordagem que todo o setor privado deverá assumir com responsabilidade social. Um setor em que as empresas líderes que querem mudar o mundo já estão plenamente conscientes do seu papel como gestoras responsáveis do planeta em direção a um futuro sustentável e baseado em uma economia circular.

Essa visão de uma nova normalidade requer competência e preparação, levando em conta que as empresas não podem conduzir suas atividades excluindo interdependências com outros sistemas. Mas, muito pelo contrário, para que elas sejam resilientes, é preciso, decididamente, compreendê-las e gerenciá-las. 

Construir um futuro resiliente para as empresas, como as que estão envolvidas na aliança ARISE Private Sector Alliance for Disaster Resilient Societies das Nações Unidas, envolve o compartilhamento de interesses para orientar debates e planos de ação. Mais especificamente, é preciso facilitar o intercâmbio de experiências e conhecimentos em projetos concretos, a fim de reduzir o risco de desastres naturais, por exemplo, passando da lógica do Run-to-Failure para a manutenção preventiva, explorando completamente os benefícios da digitalização e promovendo, dentro e fora da rede de relacionamentos da empresa, a adoção de estratégias inovadoras, parâmetros e padrões de investimento, sistemas de normas e regulamentos que possibilitem essa nova condição operacional. A consciência de que as mudanças substanciais caracterizam e caracterizarão essa "nova normalidade" implica não apenas em respostas adequadas, mas na preparação e prevenção sistêmicas e adequadas aos desafios a serem enfrentados.

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